O que te faz conectar com o teu mais profundo eu?

Há algumas semanas uma das minhas artistas preferidas lançou uma música nova que, graças aos céus, antecede um novo álbum dela depois de anos. A canção se chama “Handmade Heaven”, e nela ela fala sobre sua necessária conexão com a natureza em momentos conturbados e angustiantes.

A música me tocou profundamente, talvez porque ela tenha aparecido em um momento que eu precisava de algo do tipo. Por trabalhar com internet e redes sociais ininterruptamente há mais de seis anos, frequentemente me sinto esgotada. E acho que nem só quem trabalha online sente isso hoje em dia. Passamos tanto tempo entre notificações e aplicativos que todo mundo tem seus momentos de ansiedade causados pela tecnologia.

Sou uma pessoa extremamente sensível ao que ocorre ao meu redor. Se acontece uma tragédia, mesmo que esteja fisicamente distante, fico totalmente desestruturada. Pra citar dois exemplos recentes: o dia em que Marielle foi assassinada, lembro de ter ficado tão devastada que não consegui mais trabalhar durante o restante do dia. Mais recentemente teve a ruptura da barragem em Brumadinho que me deixou em pedaços, revoltada e com o peito pesado.

Além desses fatos isolados, passar muito tempo consumindo um monte de coisas ao mesmo tempo me deixa desorientada. Parece que, de tempos em tempos, preciso parar tudo o que estou fazendo pra tirar um tempo e relembrar quem eu sou. Não percebemos, mas ao viver essa vida workaholic e de correria, que muitos inclusive invejam e/ou endeusam, acabamos nos afastando do que realmente gostamos e, consequentemente, do que somos.

Quando me sinto assim meio perdida e triste sem ter necessariamente uma razão pessoal, sei que está na hora de voltar a olhar pra mim. O ideal seria jamais nos descuidarmos do que somos, mas essa é uma vigília difícil de manter.

Talvez as pessoas nem saibam direito quem elas são. Muitas vezes elas nunca tiveram tempo pra pensar nisso, ou sequer perceberam a importância de ter essa consciência. Eu, depois de 6 meses morando longe do meu país, da família e dos meus amigos, e passando um tempão comigo mesma, tenho cada vez mais proximidade com quem eu realmente sou, lá nas profundezas do meu ser.

Se depois de ler esse meu papo de louco tu ficou completamente perdido e sem saber como começar a te encontrar, eu sugiro que tu relembre a tua infância. Esse é o exercício mais sincero que podemos fazer.

Quando somos crianças, somos o que somos. Sem filtros, sem cobranças, sem prazos e sem angústias. Infelizmente deixamos nessa fase tão gostosa muito dos nossos sonhos, já que logo na adolescência as primeiras pressões chegam e depois é só ladeira abaixo.

Quantos prazeres e vontades tu deixou de lado para poder arcar com a vida adulta? Quantas vezes tu já pensou que não tinha mais tempo para os teus passatempos preferidos?

Não estou pedindo que tu pare tudo que está fazendo na vida para retomar tuas brincadeiras de criança. Se puder, ótimo. Se não puder, apenas sugiro que tu busque nas tuas memórias as lembranças da infância que são capazes de te colocar um sorriso no rosto e uma sensação de alegria no corpo.

Mudamos muito durante a vida, mas tenho certeza que é lá nos nossos primeiros anos de vida que mora a nossa essência. E quando tu reencontrar com ela, por favor, não abandona nunca mais!

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