O que aprendi viajando: não são os lugares que nos fazem feliz

Talvez eu já tenha falado sobre esse assunto aqui, não me recordo. Mas sinto que existem algumas coisas na vida que precisamos falar, falar, repetir, repetir, falar de novo e lembrar sempre. É o famoso “orai e vigiar” que eu sempre tive pavor por achar que tinha uma conotação religiosa, mas que hoje eu entendo pra que serve.

Ser good vibes NÃO é um caminho sem volta. Nós somos humanos e constância não é uma coisa fácil. Até a mais feliz e grata das pessoas vai ter seus dias nebulosos. E é nesses dias que precisamos ler e ouvir coisas positivas, pra nos lembrarmos que as nuvens passam. Tá, chega desse papo que parece autoajuda, mas no fim é autoconhecimento — e é disso que as pessoas têm medo.

Fiquei com vontade de escrever esse texto porque nos últimos tempos tenho visto muitas pessoas reclamando de infelicidade. Reclamando sobre o trabalho, sobre a vida, sobre os outros. O mais curioso é que elas não reclamam delas mesmas. Aparentemente, elas são apenas coitadinhas nesse mundo injusto.

Cada um tem seu processo de autoconhecimento. Ah, claro, algumas pessoas não têm. Afinal, isso é bobagem. Então eu fico observando essas pessoas e suas lamúrias. Não falo nada. Não posso. Respiro fundo e não deixo me afetar. Aproveito, inclusive, para ver como eu nunca mais quero ser uma pessoa reclamona. Deixo a pessoa esbravejando sozinha. Ela precisa enxergar com os próprios olhos, eu não posso mostrar pra ela. Provavelmente vai ser dolorido, e vai levar anos. Mas esse é um tombo que ela precisa cair.

Um tombo bem recorrente, que inclusive foi o tombo que aconteceu comigo, é acreditar que somos infelizes porque não estamos onde queremos estar. Seja este “onde” uma cidade, uma casa, um relacionamento ou um trabalho. E eu descobri, da forma mais difícil, que o “onde” não vai importar se não estivermos dispostos a enxergar nossas feridas e, pelo menos, tentar curá-las.

Eu culpava minha cidade. Fui viajar. Eu culpava meu emprego. Mudei de trabalho. Eu culpava meu relacionamento. Fiquei solteira. Fiz várias das mudanças que a cartilha manda. Sabe aquele papo de que é você quem tem que correr atrás se quiser mudar a sua vida? Bom, ele é verdade, mas com alguns poréns. Se você não reavaliar o seu comportamento diante das situações, você pode ter a melhor casa, no melhor lugar, com o melhor namorado, que nada vai mudar. Ou, pior, vai parecer que mudou durante um tempo e depois você vai perceber que a nuvem voltou pra sua vida. Desculpa dizer, mas o culpado é você.

Outro problema é que temos uma visão muuuuuuito distorcida sobre o que é felicidade. Você já parou pra pensar o que é felicidade pra ti? Pensa aí, por favor. Felicidade é uma coisa muito pessoal, não tem fórmula pronta.

Mas, em resumo, o que eu quero dizer é: cara, se você for um cuzão ingrato, não faz diferença você morar em Porto Alegre ou em Londres. Se você não mudar sua atitude, você só vai ser um cuzão ingrato em Londres gastando em libras e tomando chuva na cabeça todo dia (case real inspirado by euzinha).

Eu acreditava que seria feliz quando alcançasse alguns dos meus sonhos. Na prática, eu fiquei em êxtase quando realizei eles, sim. Essa é a maior confusão que normalmente fazemos. Viajar ou ir naquele show que você sonhou a vida toda, isso é êxtase, não felicidade. Êxtase passa, felicidade deveria perdurar.

Conhecer novos lugares incríveis me deixa extasiada, claro. Mas o que me faz feliz é o pôr do sol da janela do meu quarto, dormir de conchinha com as minhas cachorras, ficar horas conversando com meus amigos, ouvir música enquanto tomo banho, assistir qualquer programa idiota de reformas na TV com a minha mãe e assim por diante.

Eu era o tipo de pessoa que usava a negatividade e o ato de reclamar como estilo de vida, como personalidade. “Ah, é só o jeito dela”. Não, não é. Eu era uma pessoa desagradável, simples assim. Me doeu ter que dar o braço a torcer e assumir que meus dias só eram leves quando eu agradecia por eles.

Bom, é hora de finalizar este texto. Espero que, de alguma forma, eu tenha te feito pensar sobre essa inconsequência de colocar nossas expectativas de felicidade em coisas, pessoas ou lugares.

Espero que você seja feliz, de verdade.

3 comentários sobre “O que aprendi viajando: não são os lugares que nos fazem feliz

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