Minhas impressões sobre Dublin

Esse é um texto que pensei muito se faria ou não. Mas como me perguntam sobre todos os lugares que fui, vou fazer. Dublin foi o lugar que fiquei mais tempo, quase 20 dias. Como alguns já sabem, a Irlanda não estava nos meus planos, mas acabei indo para lá porque me enfiei num buraco (lugar lindo, mas um buraco) que iria ficar durante um mês inteiro na Escócia. Se eu já surtei e voltei pra casa antes do tempo previsto estando em lugares massa, imaginem se tivesse ficado nesse vilarejo há cinco horas de distância de qualquer cidade grande…

Fui para Dublin porque um primo meu mora lá e uma amiga aqui de Novo Hamburgo. Como estava cheia das incertezas, pelo menos o fato de ter gente conhecida perto me ajudou a decidir. E lá fui eu atravessar toda a Escócia, Inglaterra e País de Gales de trem, pra aí pegar um ferry/balsa e finalmente chegar em Dublin. Foram 20 horas de viagem que mereciam um post só pra elas, porque olha, cada perrengue que chega a ser engraçado.

Mas enfim, vamos às minhas impressões sobre Dublin:

– Não quero magoar corações e deixar amigos chateados, mas se tem um lugar que eu não achei nada de incrível foi Dublin. Valeu a experiência, claro, mas se me perguntarem se eu recomendo a cidade terei que me posicionar contra. Daí vocês me perguntam porque, né. Eu digo que, na minha visão, Dublin não tem nenhum atrativo, principalmente se comparada a outras capitais da Europa.

– Um dos fatos que mais me “incomodou” é que Dublin é uma cidade meio sem história. Basicamente a história deles é que eles foram a vida toda escravos da Inglaterra, tendo que passar a vida plantando e criando gado pra mandar pros britânicos, enquanto eles mesmos só comiam batata. Daí uma vez teve uma peste nas batatas e eles morreram de fome. Fim. Esse é o máximo de história que eles têm, então é um pouco frustrante, sabe?

– E pra quem acha que eu é que não entendo a história deles e tal, conto que fiz três city tours diferentes na tentativa de achar algo de legal na cidade além dos pubs, mas nada de novo surgiu. Inclusive os próprios guias turísticos tiram muito sarro o tempo todo com o fato de que tudo o que os irlandeses sabem fazer é beber.

– Vamos aos pubs, único grande atrativo da cidade. Os pubs são muito legais, os que têm música ao vivo tradicional são demais mesmo! Mas assim, né, no dia que eu viajar pra um lugar pra ficar só indo em pub vocês me internem, porque algo vai estar bem errado. Primeiro porque eu sequer bebo cerveja, que é o néctar essencial diário deles por lá, segundo porque continuo sendo aquela velha pão-dura que vai fazer o cálculo ao pagar 5 euros numa dose de whisky.

– Aliás, a moeda era outra coisa que eu não sabia. Como não pretendia ir pra lá, não sabia muito sobre o lugar mesmo, então eu podia jurar que eles usavam a libra e não o euro. Mas é tudo em euro – finalmente um ponto positivo!

– Voltando ao trago, porque é realmente a coisa mais importante na vida dos irlandeses, é assustador a quantia que eles bebem. O copo básico de cerveja deles se chama pint, e um pint tem simplesmente 500 ml. Ou seja, meio litro. E eles bebem vários desses numa noite. Por vezes eles bebem um pint de Guiness no almoço, então reflitam.

– Perguntei para várias pessoas lá sobre em que girava a economia da cidade, e imaginem vocês a resposta? Bebida! Eles têm a fábrica da Guiness e a destilaria da Jameson – que era a minha bebida oficial misturada com Ginger Ale -, sem contar o monte de pubs um do lado do outro.

– Se você insistir em ir pra Dublin, o único lugar que posso te dizer pra não deixar de visitar é o Phoenix Park. Lá dá pra caminhar bastante, o parque é enorme e muito bonito, e ainda tem os veadinhos soltos que podemos observar e até interagir – com cautela, claro.

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– Como um guia turístico me explicou, todos os prédios mais bonitos e bem trabalhados arquitetonicamente foram construídos pelos ingleses. Os que forem quadrados com bastante concreto e vidro são os prédios tradicionalmente irlandeses.

– Definitivamente não é o lugar que tu vai praticar inglês. Tem tanto brasileiro que tu não precisa saber uma palavra em inglês se não quiser, e chega uma hora que tu escuta tanto português pelas ruas que tu esquece que está na Europa e não no Brasil.

– Dublin tem muitos mendigos, e digo mendigos e não moradores de rua porque a maioria deles tem casa paga pelo governo pra viver, mas passam o dia na rua pedindo dinheiro sentadinhos e enrolados num saco de dormir.

Aliás, pelo que alguns brasileiros que moram lá me falaram, esse é um problemão que o governo vem enfrentando, o excesso de pessoas que necessitam de assistencialismo. Inclusive, pra quem adora criticar os programas tipo Bolsa Família que o ~~PT criou no Brasil~~ é bom avisar que lá em Dublin a coisa é bem pior. Pelo que me explicaram, eles ganham um auxílio financeiro e alguns ganham também a moradia. Não posso afirmar com fontes e dados porque não encontrei, mas disseram ser cerca de 200 euros por semana, enquanto aqui no Brasil a galera adora tacar pedra quando uma família inteira vive com menos de um salário mínimo… Mas enfim, não estou aqui pra defender um ou outro porque teria que analisar muita coisa, mas achei interessante contar isso porque não é uma visão que costumamos ter quando se pensa em Europa, né?

– Obviamente que Dublin é mais seguro que o Brasil, isso nem preciso comentar, né. Mas assim, de todo os lugares que fui, foi o único lugar que me deu um certo medinho de andar de noite sozinha. Tem esses grupos de pessoas que ficam pelas ruas, os chamados Knackers ou “nanás”, que são facilmente identificáveis pelos moletons cinza ou azul. Muitos bebem e/ou se drogam, então é comum ver eles mexendo com as pessoas nas ruas e em casos extremos até assaltando.

– O trânsito é bem caótico e é uma vida pra conseguir atravessar a rua. Ah, e você quase não vê motos, e dizem que as poucas que existem por lá são de brasileiros.

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– As pessoas não são tão gentis como nos outros lugares, mas acho que principalmente pelo fato de eles não aguentarem mais tanto brasileiro, hahha. Quem é de lá mesmo, no dia a dia, não tem cara de muitos amigos.

– Eles adoram celebrar a morte. Segundo um guia turístico, o assunto entre os locais no ônibus é sempre algo do tipo “tu viu quem morreu?”. Isso porque o velório pra eles é uma festa mais melancólica que dura dois dias na casa do morto. E, como eles passam dois dias bebendo, ainda ganham o terceiro dia de folga no trabalho pra curar a ressaca.

– Ainda falando no combo morte + bebida, é esse o motivo pra “comemorar” o St. Patricks Day. O tal dia é nada mais nada menos o dia em que São Patrício morreu e aí eles decidiram que precisavam beber. Só isso.

Eu estava lá na data e como não gosto de muvuca e gente bêbada pelas ruas nem saí do hostel o dia todo. E, quando decidi sair pra comer algo no fim da tarde, tinha bandos e bandos de idiotas de cara e barba pintada de laranja ou verde, além das meninas tentando ser sensuais com bandeiras da Irlanda e shamrocks pintados na cara.

O lado bom disso é que a maioria das pessoas que faz isso são os estrangeiros – leia-se brasileiros -, o que alivia um pouco a barra dos irlandeses. Basicamente, St. Patricks é como um Carnaval de rua, só que em um país frio e chuvoso. E seria bem hipócrita da minha parte supercomemorar São Patrício quando no Brasil eu passaria o Carnaval todo dormindo, né.

Em resumo, apenas repito as dicas dos guias turísticos: não vá para Dublin em St. Patricks. A tradição já se perdeu faz tempo e você só vai pagar absurdos em hospedagem, comida e bebida. Se for só pela beberragem, não se preocupe, as centenas de pubs abrem todos os dias do ano, ok?

2 comentários sobre “Minhas impressões sobre Dublin

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