Viajando e aprendendo a não julgar as pessoas

Antes de mais nada, quero dizer que escrevo este texto com o intuito de plantar a sementinha do “não julgamento”, assim, escancaradamente mesmo. Em todo mundo, porque não é preciso viajar para o outro lado do mundo para perceber como as pessoas são diferentes e são moldadas por seus meios sociais. A grande questão de viajar e aprender a não julgar as pessoas é que você passa a conviver mais diretamente com várias culturas e começa a entender que o que é normal pra você pode não ser para o amiguinho francês aqui do lado – e vice e versa, principalmente.

Meu primeiro choque cultural já começou no voo entre São Paulo e Paris. Aquele avião repleto de gente de todas as nacionalidades possíveis já assustava, e quando as línguas entre comissários e passageiros começaram a se misturar, meu cérebro já deu aquela bugada.

Depois, quando o voo já estava em andamento, reparei que havia um oriental sentado na minha frente. Ele abriu um pote de comida e começou a comer. Até aí tudo bem. Depois ele começou a comer amendoins, e ele descascava e jogava a casca no chão. Ao longo das 10 horas de voo e com as duas refeições oferecidas (jantar e café da manhã), o rapaz na minha frente acumulou uma pilha de lixos ao lado do assento, entre ele e a janela. Reparei isso porque, era tanta coisa que em certo momento ele começou a jogar as coisas para trás, ou seja, nos meus pés, como se aquela sujeira me pertencesse.

Confesso que fiquei um pouco chocada/irritada, mas tentei não julgar. Pensei que ok, talvez esse seja um hábito no país dele e tudo bem. Só não entendi pra quê juntar tanto lixo se volta e meia os comissários de bordo passavam com um saco recolhendo, mas né…

Ao longo desse quase um mês de viagem, reparei que alguns estereótipos se confirmaram: os orientais comem um pouco “feio”, aos olhos da etiqueta que até hoje aprendi; os italianos falam muito alto mesmo, e não estão nem aí se estão chamando atenção ou acordando o ônibus inteiro; os irlandeses discutem alto e sempre acho que vou presenciar uma pancadaria na rua, mas ao final é sempre apenas uma discussão acalorada.

Acredito que é natural fazermos esse tipo de observação, e o grande exercício é tentar não julgar como bom ou ruim, educado ou mal educado e assim por diante. Aos meus olhos pode não ser “polite” falar alto, mas eu sou uma pessoa discreta e que fala baixinho, então não posso querer que o mundo todo esteja de acordo com o que eu acho educado.

Outra coisa engraçada é o troço do papel higiênico na privada. Em todos os banheiros por aqui existe lixeira, mas segundo uma amiga minha o costume deles é jogar o papel privada abaixo mesmo. O problema é que eles sempre esquecem da parte do “abaixo”, então cada vez que entro no banheiro tem papel no vaso. Faz sentido pra vocês? Porque pra mim não faz. Na dúvida, sigo colocando meu lixo na lixeira pra não me sentir culpada.

O que quero abordar com esses exemplos práticos é como não fazemos nem ideia de quão grande esse mundo é e quantos costumes diferentes existem. Quando viajamos sabemos que vamos enfrentar um pouco de dificuldade na língua e que o tempero da comida vai ser diferente. Mas vai muito além disso. Muito mesmo. Essa tal de cultura que ouvimos falar a vida toda é mesmo uma coisa louca.

Mais interessante do que conhecer lugares novos e postar fotinhos no Instagram é prestar atenção nesses pequenos detalhes do dia a dia e da convivência com novas pessoas. Isso envolve ter que aguentar a catinga de chulé e asa em quarto compartilhado de hostel. Paciência. A falta de banho do roomate pode parecer falta de higiene (ou a clássica porquice mesmo), mas vai que é só consciência ambiental ou alguma promessa religiosa, né?

Na dúvida, eu pratico aquela velha coisa do “não faça com os outros o que você não gostaria que fizessem com você”. Tento me colocar no lugar do outro e tento não invadir o espaço alheio na medida do possível

Não gosto de sentir cheiro de comida no quarto onde vou dormir, então não como no quarto. Não acho legal ser acordada com alguém cuspindo e escarrando, então não escovo meus dentes na pia do quarto. Ninguém é obrigado a sentir cheiro de esmalte e acetona, então fico sentada no corredor do hostel pra não fazer cheiro no quarto. Se vou assistir uma série ou vídeo no celular, uso o fone de ouvido porque sei que os outros não estão interessados naquilo.

São muitos os exemplos, mas acho que já deu pra entender, né? Respeito não é algo que está na moda, mas nunca me importei de ser a esquisita da turma, então prefiro persistir nessa tendência que, se tudo der certo, vai voltar com tudo um dia.

2 comentários sobre “Viajando e aprendendo a não julgar as pessoas

  1. Agora minha ideia de “salvação do mundo” foi um pouquinho por água abaixo. Imaginem se o mundo pensasse assim: “não farei aos outros o que não gostaria pra mim”, pronto, tudo resolvido. Respeito às pessoas, aos animais, à natureza, ao ambiente em que vivemos. Só que não… tem essa história de cultura, pois provavelmente o cara da pilha de lixo, não se importaria com isso. 😦

    Curtir

  2. Pingback: Os 9 maiores erros de um viajante principiante | EX-BLOGUEIRA

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s