A saga do voo cancelado (parte II)

(para ler a parte I clique aqui)

Eu acredito em destino, e vocês devem estar pensando que era pra ser essa zica toda mesmo. Mas não posso deixá-los pensando assim enquanto a Gol sai ilesa dessa história. Na-na-ni-na-não!

Depois do café da manhã de despedida dos amigos recém feitos e que eu sequer me lembro os nomes, meu novo destino já estava sabido. Tomei mais um banho e deixei tudo pronto para que, às 11h35, duas horas antes do novo vôo para Guarulhos, uma van passasse no hotel para pegar os passageiros que embarcariam nesse horário.

A van passou. E não me levou. Quando saí do elevador com minhas três bagagens e vi o saguão do hotel vazio, sabia que alguma merda havia acontecido. Como o recepcionista do hotel disse, algum intruso deve ter entrado na van no meu lugar, o motorista deve ter contado 9 pessoas que estavam na lista – mas sem conferir os nomes delas.

Esperei 20 minutos mas no fim das contas tive que pegar um Uber. Sim, do meu bolso. Era a forma mais segura de chegar a tempo e não arriscar perder mais um vôo. O Uber chegou muito rápido, e fez um percurso tranquilo – tirando uma freada brusca que me fez bater a cabeça no encosto do banco da frente.

Cheguei no aeroporto, despachei bagagem novamente e enchi o atendente de perguntas sobre a sequência do meu itinerário e sobre o voucher de alimentação que eles deveriam me dar, já que eu passaria o dia no aeroporto de Guarulhos até o meu vôo para Paris.

Ah sim, essa parte ainda não contei. Não sei exatamente porquê, mas eles me colocaram em um vôo da Air France, com parada em Paris e não mais em Amsterdam. De lá eu devo seguir para Edimburgo, finalmente.

Antes de embarcar encontrei o garoto do grupo de cancelados, o mesmo que eu esperava que tivesse avisado o motorista da van que eu não estava nela. Mas, tudo bem, pelo visto ele não tinha gostado tanto de mim quanto eu tinha gostado dele.

Embarcamos no vôo das 13h35. Tudo certo, decolagem autorizada e finalmente deixei Porto Alegre. Mal o avião tinha voado e meu estômago implorava por um lanchinho, enquanto meu sono queria me arrebatar. Mas tive que ficar acordada para perceber a hora do lanche – olha eu sendo otimista de novo e chamando de lanche as 91 gramas de biscoito sabor manjericão e o copinho de água sem gás e quente.

Desci em Guarulhos com a promessa de que minha mala despachada iria direto para o destino final, então eu não precisava me preocupar com isso – ou talvez eu deva, porque é nessas que as bagagens se extraviam…

Agora as missões eram várias: 1) Encontrar um guichê da Gol para pedir meu vale alimentação antes que eu não tivesse forças pra andar. 2) Encontrar um guichê da Air France para tentar mudar os assentos automáticos e horríveis que a Gol escolheu pra mim, e descobrir qual seria o meu terminal de embarque e portão. 3) Encontrar um lugar para almoçar com o suposto voucher da Gol.

Nem sei em que terminal eu desembarquei, mas andei por muito tempo até descobrir que a melhor forma de chegar no terminal 3, que era onde eu precisava ir, seria de ônibus. Caminhei, pedi informações, caminhei, pedi mais informações, fui enganada pelas placas e finalmente encontrei uma alma caridosa que veio cheia de carinho falar comigo.

Mas, na verdade, tudo o que ela queria era me dar de presente uma mala porque eu tinha um cartão visa e essa era uma promoção de incentivo à leitura que tinha passado até matéria no Fantástico. E enquanto eles insistiam em me dar uma mala de mão, mesmo vendo que eu já tinha duas bagagens, eu só queria chorar e tentar descobrir onde ficava e como chegar no terminal 3.

Incrivelmente consegui me desvencilhar sem ganhar uma mala e pedi informação pra um moço da Gol (olha ela aí de novo, gente!) que me falou “tu não tá vendo a placa ali?”, com um ar fortíssimo de sermão. Mesmo com a placa, que eu tinha visto sim, era difícil de entender mas finalmente, obrigada Senhor!, eu consegui pegar o ônibus pro terminal 3.

Depois de muito andar enquanto sentia diversos cheiros de comida eu achei o check-in da Air France e consegui alterar os assentos dos meus vôos para outros menos piores, porém não melhores. Ganhei um cartão de embarque decente e agora a missão era localizar um guichê da Gol. Ah, isso sem antes um alarme falso da atendente de que eu teria que ter recolhido minha mala na esteira e que talvez ela estivesse vagando pelo aeroporto solitária. Mas a princípio é pra estar tudo bem.

Encontrei um guichê Gol e, quase chorando de alegria, fui pedir informação. Por que eu faço isso comigo, hein? A moça me informou que eu teria que voltar ao terminal 2, encontrar o escritório da Gol para pedir o tal voucher de alimentação.

Percebendo que a humilhação já havia sido demais, resolvi parar no Pizza Hut e tocar o fodasssssse. Finalmente, passadas as 17 horas do dia, eu estava almoçando uma fatia de pizza com guaraná Kuat.

Foi onde coloquei meu celular pra carregar, abri o meu notebook e comecei a escrever pra ver se todo esse desgaste passava. Comi, bebi, sentei e fiquei mais de hora ali, enquanto ainda não era hora de embarcar.

Encerro essa saga por aqui, mesmo que ela ainda não tenha terminado. Isso porque eu espero que daqui pra frente tudo seja mais tranquilo e porque tenho certeza que vai dar tudo certo. Em algumas horas e, com 24 horas de atraso, estarei em terras francesas e depois em solo escocês, pronta pra colocar a cara no frio, vento e chuva, monamú.

 

Ah, e claro que não preciso nem dizer, pra Gol essa história ainda não terminou. 😉

 

P.S.: depois que parei de escrever e estava quase embarcando, passei pela sensação horrível de ter meu nome chamado no microfone do Aeroporto de Guarulhos. SIM. E eu nem tinha feito nada errado, nem estava atrasada ou qualquer coisa do tipo. Adivinhem o que aconteceu? A Gol extraviou a etiqueta da minha mala despachada, mas, por sorte, eles conseguiram identificar ela graças a tag que eu havia colocado com os meus dados.

 

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