A saga do voo cancelado (parte I)

*Dedico esse post cheio de angústia e traumas à Gol Linhas Aéreas (nada) Inteligentes. Escrevo ele no dia 16 de fevereiro, horário de Brasília mas que deveria ser de Edimburgo.

*Faço um agradecimento especial a minha amiga e profissionalíssima Paola, minha agente de viagens que me ajudou a resolver a treta toda.

 

Eis que finalmente chegou o dia de ir viajar. No dia 15 de fevereiro cheguei cedo ao Aeroporto de Porto Alegre junto do meu namorado e da minha mãe. O clima mais parecia de velório, por mais que eu me esforçasse para ser um defunto muito louco.

Pelas 17h20 começaram as lágrimas, abraços e despedidas – o primeiro vôo, para Guarulhos-SP, seria às 18h06 no portão 5. Entrei procurando me óculos de sol e o pacote de lencinhos, eles eram necessários no momento e talvez durante todo o trajeto até São Paulo.

Logo depois que entrei, percebi que mudaram meu portão de embarque. Agora era o número 6 ao invés do número 5. Mudei pra outra fila, que estava enorme. Já que os lugares são marcados mesmo, sentei no chão com minhas duas mochilas e seus 14 quilos que, sim, ultrapassam a cota permitida.

Percebi um rebuliço e a fila dispersando. Anunciaram no microfone que haveria um atraso no vôo, coisa de minutos. Pensei “me fudi”, porque eu teria menos de 1h30 para embarcar no próximo vôo assim que chegasse em Guarulhos – e sabia que lá os terminais eram enormes e distantes. Mas ok, pensamento positivo.

O lado bom de tudo isso – porque agora sou dessas que vê lado positivo em tudo – foi que as lágrimas cessaram porque tive que ajudar uns gringos a entenderem o que estava acontecendo. Eles estariam no mesmo vôo que o meu pra Amsterdam.

Mais um tempo esperando e gritou alto o microfone: “informamos que o vôo Gol 1237 está cancelado. Recolha sua bagagem na esteira e passe no balcão de informações da Gol”. Na hora gelei um pouco, mas tudo muito comedido até.

Fui lá, peguei um carrinho e taquei minha mala de 30 quilos e 800 gramas em cima – mais as outras duas de mão. Voltei pra fila da Gol e lá fiquei por cerca de duas horas, sem informação decente nenhuma.

Pelo menos eu não estava sozinha nessa, o que é bom pelo lado de ter mais gente querendo queimar sutiã e fazer protesto, mas é ruim porque a demora no atendimento só aconteceu porque eles precisavam realocar pelo menos umas 40 pessoas que teriam conexões internacionais também.

Demorou quase duas horas para nos falarem que teríamos que dormir em Porto Alegre – é importante dizer que nessa confusão toda perdemos pelo menos umas quatro oportunidades de vôo para São Paulo com outras companhias.

Quando finalmente chegou a minha vez de ser atendida, eu já sabia pela boca pequena que ficaríamos em um hotel em Porto Alegre, para voar só no outro dia. Mas a maior dúvida – e os atendentes pareciam apavorados com isso tanto quanto ou mais do que eu – era sobre os próximos vôos, aquelas conexões internacionais que tínhamos todos perdido.

Pelas 22h chegamos no hotel com um micro-ônibus que levou o grupo de cancelados. Nessa altura do dia já tínhamos feito amigos e daria até pra votar por afinidade caso isso fosse um BBB e não um grupo de sedentos viajantes.

Fomos instalados no City Hotel, bem no centrão de Porto Alegre. O quão louco era essa sensação de dormir ao lado do Mercado Público quando eu já tinha chorado e me despedido e criado todas as expectativas de estar cruzando o Oceano Atlântico?

Cheguei no meu quarto e, pra ajudar, o ar condicionado não funcionava. Desci até a recepção com todas as minhas malas e eles me deram um novo quarto. O quarto novo era o 304, e o anterior era o 306 – nem preciso dizer que eu não precisava ter carregado todos os meus 44 quilos de bagagem junto até a recepção, né?

Já acomodada, tive que correr pra jantar porque o restaurante ficava aberto somente até as 22h30. Só com o almoço no bucho até então, mandei ver num pratão de arroz, feijão e carne. Ah, e um guaraná, porque não sei quando vou beber disso novamente.

Finalmente veio uma parte divertida: juntamos duas mesas e sentamos todos os migos cancelados juntos – com exceção de uns gringos e outros com criança e tal. Era um grupo bem diversificado: eu; um senhor na casa dos 50/60 que não sei bem de onde era, mas que era muito amigável e de alma jovem e que estava indo para Vancouver; um menino de Porto Alegre com seus 20 e poucos anos, estudante de arquitetura e que estava indo morar na Holanda com seu namorado depois que sua cidadania italiana finalmente saiu; e três amigas, duas cariocas e uma paulista, todas produtoras de eventos que haviam comprado passagens por 700 reais para passar 12 dias no México.

A conversa na janta foi tão legal que combinamos de tomar café da manhã juntos no outro dia às 9h30, já que depois seríamos divididos em dois vôos diferentes para Guarulhos. O que de fato fizemos no dia seguinte, todos com uma cara de ressaca que na verdade era só cansaço.

 

Amanhã posto a parte II!

3 comentários sobre “A saga do voo cancelado (parte I)

  1. Fico feliz em ter te ajudado dentro do que estava ao meu alcance. Queria ter feito muito mais, mas o meu trabalho é prestar um serviço esperando que o outro lado também cumpra o dele.
    Agora, bora correr atrás dos teus direitos judicialmente. O que fizeram contigo foi uma piada e desrespeito total, amiga! Bom restinho de viagem :*

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  2. Pingback: Escócia: Glasgow em fotos | EX-BLOGUEIRA

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