Roteiro pré-viagem e suas burocracias sem fim

Decididas as quatro questões iniciais propostas aqui no post anterior, agora é hora de correr atrás dos caminhos para chegar ao seu destino. Alguns dos tópicos para ficar atento e agilizar o quanto antes:

– Passaporte e vistos

Comece fazendo o seu passaporte se você ainda não tem ou conferindo a data de validade do seu já existente. Os passaportes mais antigos valiam por 5 anos, já para quem faz hoje em dia acaba conseguindo uma validade de 10 anos – mas o preço também aumentou: foi de R$ 156,07 para R$ 257,25. Mas ok, pelo prazo ser bem maior, acho que acaba compensando.

No quesito vistos foi que eu me enrolei toda. Quando comecei a pensar na minha viagem eu tinha em mente que queria ficar 6 meses na Europa. Tudo muito lindo até eu descobrir que a permanência máxima de turista por lá é de apenas 3 meses. Isso acabou por mudar todo o meu roteiro, então essa questão deve ser uma das primeiras que você deve pesquisar, ok?

No caso da Europa não é preciso tirar visto antes de viajar, ele é concedido – ou negado – quando você chega no país e passa pela imigração. Num próximo post posso falar sobre os vistos em outros lugares se vocês quiserem 🙂

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– Passagens

Por tudo que andei lendo e pesquisando nos últimos meses, quando a viagem é internacional o ideal é comprar as passagens aéreas no máximo com três meses de antecedência. Isso porque a logística é mais complicada do que um simples voo nacional, então a dificuldade também encarece no preço final.

Mas é importante monitorar os preços desde o dia em que você definiu o seu destino, principalmente para saber quanto é caro e quanto é barato. Fique acompanhando as promoções e crie alertas de preço! Eu baixei o app Melhores Destinos no celular e achei ótimo!

Para minha viagem em fevereiro eu fechei as passagens, de ida e volta já, na segunda quinzena de dezembro. Achei um pouco tarde, cheguei a perder alguns preços melhores nas semanas anteriores, mas por questões pessoais acabei demorando um pouco pra comprar.

Eu optei por comprar com um profissional da área, uma amiga minha que manja muito e há anos trabalha com isso. Mesmo pagando uma comissão pra ela, achei mais seguro ter essa assistência para caso aconteça algo do tipo atraso, cancelamento e etc. Preferi pagar um pouco mais pela segurança e para diminuir o estresse, porque esse é um dos itens mais delicados de uma viagem, principalmente se você quer um preço baixo. São muitos detalhes e asteriscos, tem que ficar ligado em tudo, ok?

– Hospedagem

A hospedagem não precisa de tanta antecipação (a não ser que a sua trip seja em períodos de alta, como as férias de verão ou feriados de fim de ano), mas para ficar por dentro dos preços é bom ir olhando tudo com calma.

É preciso pesquisar muito para encontrar bons preços, boas localizações e um serviço que esteja de acordo com o que você necessita. Eu, por exemplo, vou ser uma viajante de hostels, não vou me dar ao luxo de ficar em hotéis. Mas mesmo que eu tivesse mais grana não acho que teria necessidade, afinal tudo o que preciso é um lugar para dormir, tomar banho e deixar minha mala. Ah, claro, lugares com café da manhã incluso sempre ganham pontos comigo – atentem para isso, pois a maioria dos hostels, por exemplo, não inclui no valor principal o café. Alguns hotéis no exterior também têm esse costume, fique ligado.

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– Outras burocracias

Minha nossa senhora das chatices, é tanta coisinha que temos que resolver antes de ir viajar que chega a dar uma desanimada. Vou citar algumas delas para vocês terem noção:

Seguro-saúde: na Europa, por exemplo, é item obrigatório de entrada. Custa caro mas é uma necessidade, e mesmo que não fosse obrigatório eu faria para garantir. Já li relatos de gente que ficou 3 dias internado em hospital na Inglaterra e deixou 10 mil euros pra trás, tendo que acionar mãe, pai e toda a família que pudesse ajudar. Eu fora! Preferi desembolsar R$ 977,30 para seis meses de garantia do que arriscar ter que me vender como escrava para pagar dívidas.

Permissão Internacional para Dirigir (PID): não é obrigatório, mas vai que tem uma viagem que você quer fazer e é mais em conta alugar um carro do que pegar transporte público? Principalmente em lugares mais remotos essa é uma situação bem recorrente, então eu aconselharia fazer. É só ir em um CFC e solicitar, pagando uma taxa de R$ 54,04 (essa é a taxa do Detran-RS atualmente, ok?). Pode ter certeza que vai ser um dos valores mais irrelevantes dos que você irá gastar nessas burocracias pré-viagem.

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Receitas médicas: a farmacinha mais básica, como pastilhas de dor de garganta, remédio pra azia e dor de cabeça, por exemplo, não exige receita específica, mas se você toma remédios prescritos ou qualquer outro que precise de uso contínuo é preciso levar uma receita do seu médico, preferencialmente em inglês. Tenha certeza que você não vai querer passar por traficante de drogas por falta de receita, bem como você não vai querer arriscar deixar para comprar os remédios no país destino, porque cada lugar tem suas exigências para isso. Ah, leve tudo sempre com bula, ok?

Troca de moedas, cartão de crédito ou VTM: essa questão é sempre causadora de dúvidas, já que a única coisa que é certa na vida além da morte é que a moeda estrangeira é normalmente pouco favorável para os brasileiros. Ô tristeza. Salvas algumas felizes exceções, os destinos mais procurados como Europa e EUA, nós pessoas pobrinhas acabamos sofrendo com a conversão.

Mas, em geral, a melhor dica é ficar um bom tempo acompanhando a variação cambial, para estar preparado para uma possível queda. Esse é o momento que você vai lá e troca seus reais, tentando fazê-los render o máximo possível. Eu tenho acompanhado tanto o Euro como a Libra pelo aplicativo Câmbio Legal, que é ótimo, pois te mostra a cotação do dia e de cerca de um mês antes, para você ter noção das últimas variações.

Sobre cartão de crédito, a melhor dica é: não use. Ou, pelo menos, use o mínimo possível, já que o IOF é sempre um susto. Procure ver se no seu banco há o cartão VTM (Visa Travel Money), uma espécie de cartão pré-pago. Lá você coloca seu dinheiro, já em euro, dólar ou etc, e vai usando como um cartão de débito, podendo também sacar a moeda em espécie quando necessário.

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Cuidar do que fica na sua cidade: se a ideia é voltar, não precisa sair se desfazendo de tudo, né? Então, como viagem não é só oba oba, trate de ver com quem seu cachorro ou gato vai ficar, se você vai colocar sua casa pra alugar, quem vai cuidar das suas plantas e coisas do tipo. Também é interessante, por precaução, fazer uma procuração nomeando alguma pessoa de extrema confiança.

Eu fiz um documento de plenos poderes para a minha mãe poder apagar qualquer incêndio na minha ausência. Fiz principalmente para ela poder ter acesso total as minhas transações de banco, para qualquer necessidade que venha a acontecer. Depois de fazer o documento no cartório (e desembolsar uns R$ 100 incluindo as cópias) avise o seu banco da sua viagem e leve uma cópia do doc pra eles.

Isso é tipo seguro que morre de velho, sabe? Mas é bem melhor do que estar no meio da viagem e ter que sair atrás de consulado ou embaixada para resolver perrengue no Brasil, né?

Cancelar ou suspender contratos: você sabia que é possível suspender alguns tipos de serviço como plano de celular ou TV por assinatura? Veja como funciona isso nas operadoras que prestam o serviço para você, caso contrário cancele mesmo. Não vale a pena ficar pagando por um serviço que você não vai usar – a não ser que a viagem seja curta e você tenha que pagar uma multa que vai sair maior do que as mensalidades.

Quatro meses antes de viajar eu troquei meu plano de celular que era controle para pré-pago. Assim já fui economizando e aprendendo a viver sem 3G, já que planejo usar meu número daqui apenas no wi-fi para conversar com os familiares e amigos.

Demissão: se a ideia é pedir permissão, trate de oficializar isso um pouco antes do que um mês antes. Assim você cumpre o aviso-prévio completo e ainda fica com uns dias/semanas livres para organizar os últimos detalhes da viagem – sempre haverá alguma burocracia que vai te exigir tempo do horário comercial, acredite.

Se o diálogo na sua empresa for bacana, dá para avisar a chefia dos planos de viagem um pouco antes, contando que pretende sair mas não quer deixá-los na mão, por isso a antecipação no “comunicado”. Mas a obrigação legal mesmo é de apenas um mês, ok?

 

Ufa, post longo mas necessário. Espero ter ajudado vocês, bjxxxx!

 

Fotos: Reprodução/Pinterest

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