Como e por quê eu decidi ir viajar

Uma das coisas que mais ouço nos últimos meses é: “como assim tu vai viajar, sua louca?”. Mas, ao mesmo tempo que sei que uma mudança dessas parece impactante e assustadora demais pras pessoas (como se fossem elas a ir, não eu), eu sei que em algum momento elas devem sentir uma espécie de inveja/ admiração por eu estar fazendo algo que a maioria delas já sonhou em fazer. Então que hoje eu decidi contar pra vocês como e por quê eu decidi ir viajar durante 6 meses.

Desde o meu último ano na faculdade, em 2011, que eu sonho fazer uma viagem pra fora do Brasil, mais especificamente para a Europa. Inicialmente a ideia era estudar na Holanda, país que eu mantenho extrema admiração desde que comecei a pesquisar sobre as universidades de lá. Na época, concorri a uma bolsa de estudos pelo Ciências sem Fronteiras, mas a burocracia e os asteriscos me venceram.

Depois disso veio formatura, um empego importante que eu precisava manter para aparecer no currículo, um novo trabalho que acabei curtindo muito e me levou para novos rumos da minha carreira, um namoro de início complicado e desenrolar incrível e assim por diante. O sonho de viajar nunca morreu, mas sempre ficava em stand-by por conta ou de trabalho, ou de falta de dinheiro ou de vida pessoal.

Eis que, em 2016, me aconteceu algo que eu nunca havia experimentado: fui demitida. Não lembro de em momento algum ter ficado triste com isso, porque foi uma demissão motivada por crise e não por eu ser uma má funcionária ou algo do tipo. Se não fosse o caos que o país enfrenta nos últimos tempos eu estaria nessa empresa até hoje, então só posso agradecer por ter conseguido transformar algo aparentemente ruim em um projeto maravilhoso.

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Mesmo antes de perceber que esse era o momento de ir ao mundo, eu estava tranquila demais em não ter um emprego. Eu precisava de um tempo pra mim, definitivamente. O mais legal é que quem começou a regar com mais intensidade a sementinha da viagem foi a minha chefe, no dia em que me demitiu. Passadas as lágrimas, porque tínhamos uma relação ótima, tanto pessoal como profissional, ela me questionou sobre o que eu faria no futuro. Eu não sabia responder, e foi aí que ela proferiu um “ai guria, se eu fosse tu largava tudo e ia viajar”.

Saí da casa dela e fui caminhando até a minha. Em pouco mais de 20 minutos já estava traçada a minha ideia. Mal cheguei, sentei na frente do meu notebook e comecei a anotar e calcular quanto dinheiro eu havia guardado, quanto eu iria ganhar com a rescisão e quanto tempo seria necessário para organizar uma viagem. Assim na loucura mesmo.

Uns dias depois, com a ideia mais amadurecida, conversei com a minha mãe e perguntei o que ela achava da ideia. Muito mais aventureira do que com xororô de mãe, ela adorou o plano e disse que super me apoiava. O suporte dela já era extremamente valioso pra mim, então senti que podia seguir em frente.

O desafio agora era como conversar com meu namorado. Na verdade, o grande sonho envolvia ele, que ele também largasse tudo e fosse comigo. Foi aí que, com o passar dos meses e com o plano compartilhado com ele, comecei a compreender melhor como as pessoas são diferentes, tem sonhos diferentes, compromissos diferentes e como tomam atitudes de formas bem diferentes. Mas claro, é óbvio, sendo duas pessoas distintas a gente só poderia mesmo pensar e agir diferente.

Castelinho desmanchado, tive que reconstruir meus sonhos, dessa vez sem o meu namorado. Foi difícil aceitar, mas aprendi muito com tudo isso. Aprendi sobre amor, sobre respeitar o outro e principalmente sobre sonhar o meu próprio sonho e correr atrás dele sozinha.

 

Fotos: Reprodução/Pinterest

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